Uma Igreja Sinodal

Artigo de Dom Amilton Manoel da Silva, bispo diocesano de Guarapuava (PR).

27/10/2021 11H24

Desde o dia 10 de outubro de 2021, estamos vivendo um caminho Sinodal na Igreja Católica Apostólica Romana. Nesta data, o Papa Francisco abriu solenemente em Roma, o Sínodo 2021 – 2023. Nas dioceses de todo o mundo, a abertura solene foi realizada no dia 17 de outubro de 2021, incluindo a nossa de Guarapuava, cuja abertura se deu na Santa Missa das 19h, na Catedral Nossa Senhora de Belém.
O que significa uma Igreja Sinodal? São João Crisóstomo, Padre da Igreja, dos primeiros séculos, afirma que “Igreja e Sínodo são sinônimos” porque a Igreja não é outra coisa que o caminhar junto do Povo de Deus pelos caminhos da história, ao encontro de Jesus ressuscitado que vem. Esta afirmação significa três realidades:

a) na Igreja, como numa pirâmide invertida, o vértice encontra-se à baixo da base;

b) na Igreja a única autoridade é a de Jesus e é a autoridade do serviço;

c) que uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta: escuta de Deus até o ponto de sentir com Ele o grito do povo; escuta do povo até se respirar a vontade para a qual Deus chama.

O tema escolhido para esse caminho de 2 anos é: COMUNHÃO, PARTICIPAÇÃO E MISSÃO.

Comunhão: A comunhão tem sua inspiração e 1Cor 12, 4-31, onde o apóstolo Paulo apresenta a Igreja como um Corpo, em que Cristo é a Cabeça e cada batizado (a) é um membro ativo. A unidade deste Corpo é garantida por um único Espírito, um único Senhor e um único Deus; embora os dons sejam diferentes, bem como os serviços e o agir. A comunhão perpassa o amar uns aos outros e o cuidar uns dos outros, porque temos o mesmo objetivo; e é preciso que Cristo seja tudo e em todos. 

Participação: Do latim participatio, a participação é a ação e o efeito de participar (tomar parte, compartilhar, denunciar, ser parte de). Em sentido religioso, o termo é aplicado à capacidade dos cristãos de se envolverem nas decisões da Igreja e em todas as realidades em que vivem, como: família, trabalho, política, cultura, esporte, etc., opinando e propondo respostas à luz do Evangelho, sendo sal, luz e fermento na massa. Este tema é vasto no Concílio Vaticano II e tem se ampliado no magistério dos Papas pós Concílio, como no pontificado do Papa Francisco. 

Missão: Quando usamos o termo “missão”, o que queremos dizer? Como cristãos, temos a consciência de que a dimensão missionária da Igreja não é uma das suas características, mas o seu jeito próprio de ser, como afirma o Concílio Vaticano II: “A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo” (Decreto Ad Gentes,2). O Papa Francisco tem insistido também na dimensão existencial da missão, lembrando que “cada pessoa é uma missão e é para isso que está no mundo” (EG, 273). No batismo, somos enviados como cooperadores da missão de Deus no mundo, de acordo com os carismas recebidos do Espírito Santo e confirmados pela Igreja. Somos missionários, portanto somos missão. 

Fiquemos atentos sobretudo à fase diocesana, que vai durar até o final do mês de fevereiro de 2022, pois teremos oportunidade de escutar, dialogar e propor novos caminhos de evangelização para toda a Igreja. A sua colaboração é fundamental!
Que Nossa Senhora de Belém, nossa Mãe e padroeira, que fez um árduo e belo caminho de Nazaré à Belém, nos inspire nesta caminhada Sinodal.

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