Deus me ama e me chama

Confira o artigo de dom Amilton Manoel da Silva, CP, para o mês das vocações.

04/08/2022 16H13


O mês de agosto é temático na Igreja do Brasil.  Ao longo do mês, refletiremos sobre as vocações específicas: vocação sacerdotal, matrimonial, consagrada religiosa e laical. Aproveitemos este mês para aprofundar sobre a nossa vocação.

A palavra vocação é um termo derivado do latim “vocare” que significa chamar, escolher. O chamado é de Deus, pois Ele nos amou por primeiro: “Com amor eterno eu te amei” (Jr 31,3); é individual e possui características únicas para cada pessoa, com implicação comunitária e social. 

No entanto, é preciso fazer uma distinção entre o chamado fundamental e o específico. O fundamental é o chamado à vida, pois a vontade de Deus é que a vida seja abundante para todos (cf. Jo 10,10). Viver é o dom maior, por isso a Igreja tem insistido na luta pela vida, na promoção da mesma, no cuidado e valorização desde a concepção até o seu término natural. Este chamado, para nós cristãos, vem acompanhado de outro convite: “Sede, perfeitos (santos), como é perfeito (Santo) vosso Pai do céu” (Mt 5,48.)

A resposta ao chamado do Senhor também é pessoal, por isso é importante o discernimento vocacional. No caso do chamado fundamental, algumas perguntas poderão nos ajudar: como estou vivendo? Em que tenho investido a minha vida? O serviço e o amor são as bases dos meus planos? Quais tem sido os meus sonhos? A compaixão tem me levado a ajudar pessoas em condições sub-humanas? Em que a minha existência tem colaborado para um mundo melhor?

O chamado específico é uma opção para a vida toda. Mas, pode ser que, ao longo do caminho, a pessoa perceba que errou na escolha da vocação, sendo preciso refazer sua opção. Há casos que é possível retomar e começar de novo, mas na maioria das vezes, pode ser tarde demais. Nesse sentido vale lembrar o ditado: “Vocação acertada, vida feliz”.

No caso das vocações sacerdotal e religiosa consagrada, que a Igreja nos ajuda a refletir no mês de agosto, o discernimento vocacional deve partir das perguntas: estou disposto (a) a entregar minha vida pela causa de Deus e do próximo? A colocar em Deus a minha segurança? A configurar minha vida a de Cristo, no seu jeito de ser e agir, em vista da construção do Reino de Deus? Estes questionamentos refletidos e respondidos com liberdade e gratuidade, ajudarão a pessoa, homem ou mulher, a se decidir por uma Diocese (sacerdotal) ou ao estilo de vida de uma Congregação Religiosa (religiosa e sacerdotal ou apenas religiosa).

Na vocação matrimonial e laical, as perguntas não diferem destas citadas acima, uma vez que a centralidade da vocação cristã é Jesus Cristo e o Reino de Deus. Na vocação matrimonial é preciso incluir a relação a dois: homem e mulher que, pelo sacramento, passam a ser uma só carne e os filhos, a expressão do amor conjugal – a família, com seus valores, santidade e desafios, abraçada conjuntamente. Na vocação laical, o cristão leigo e leiga é chamado a ser sujeito eclesial para atuar na Igreja e no mundo, santificando as realidades temporais pela vivência e testemunho do Evangelho (cf. LG 31).

O termo vocação também é usado como chamado ao exercício de uma profissão. Do latim, “professio”, profissão é a ação de professar (exercer) um ofício. Nesse sentido, o acento recai na aptidão e nos interesses específicos da pessoa que a direciona na escolha profissional. Vocação e profissão, embora estejam relacionadas, possuem nítidas diferenças, a saber:

A vocação está na linha do ser. Deus chama e a pessoa responde consciente e livre, assumindo um “estado de vida”, numa missão específica, de forma gratuita e permanente, cuja dedicação exige 24 horas por dia; a vocação é única e definitiva.

A profissão está na linha do fazer, que a pessoa escolhe de acordo com as aptidões e possibilidades. A profissão não é única; a pessoa pode ter mais do que uma e pode também mudar quando não estiver satisfeita. A remuneração é um tópico decisivo na escolha da profissão. No entanto, ambas precisam de muita dedicação e amor. Infelizmente, muitas vezes, encontramos pessoas bem sucedidas profissionalmente, mas insatisfeitas vocacionalmente. 

Neste mês vocacional, deixemo-nos provocar pelo chamado do Senhor. Para os que ainda não se decidiram, tenham um bom discernimento! Para os que já disseram “sim” e estão buscando perseverar com fidelidade, que renovem sua opção fundamental e específica. E não esqueçamos esta afirmação do Papa Francisco: “As vocações nascem na oração e da oração. E só na oração podem perseverar e dar fruto”. 

Deixo aqui um convite para os jovens da nossa Diocese: você já pensou em ser um padre diocesano? Venha fazer uma experiência vocacional conosco!
 

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