Os dois senhores

Reflexões de dom Amilton Manoel da Silva, CP, para o 25º domingo do Tempo Comum.


Vivemos numa sociedade globalizada, em que o dinheiro parece mandar em tudo e é procurado a qualquer custo. Qual deve ser a atitude cristã diante das riquezas? 

Na 1ª leitura (Am 8,4-7), Amós denuncia os ricos comerciantes do seu tempo, que exploravam nas mercadorias e nos preços os pobres camponeses. Nem respeitavam os “dias santos” para celebrar e descansar. O Profeta os adverte que Deus não ficará impassível diante disso: “Não esquecerei nenhum de vossos atos”.

Na 2ª leitura (1Tm 2,1-8), Paulo convida a uma oração universal, elevando ao céu “mãos puras”, em favor de todos os homens. A oração só tem sentido se for expressão de uma vida de comunhão, com Deus e com os irmãos.

No Evangelho (Lc 16,1-13), Cristo conta a parábola do administrador infiel, que ao ser despedido, reduz o valor das dívidas dos devedores para garantir futuros amigos. À primeira vista, poderia dar a impressão de que Jesus elogia a desonestidade e a corrupção do administrador. Porém, o que aparece na parábola é que o administrador renunciou a sua parte de dinheiro, na comissão, para conquistar amigos. Devemos também ser “espertos”, fazendo uso dos meios disponíveis, para tornar sempre atual a mensagem de Cristo. Jesus conclui com sentenças sobre o bom uso das riquezas: “Ninguém pode servir a dois senhores... a Deus e ao dinheiro...” Deus e o dinheiro representam mundos contraditórios. O mundo do dinheiro (egoísmo, interesses, exploração, injustiças...); o mundo do amor (doação, partilha, fraternidade...).

Qual a nossa atitude diante dos bens terrenos? A qualquer momento, Cristo poderá também nos dizer: “Presta conta da tua administração!”. 

Bom domingo!
Deus te abençoe.